“A Onda” : Um filme que explica como a psicologia entende a ação dos grupos

Um psicólogo pode escolher atuar em diferentes áreas e uma delas é a Psicologia Social. Essa é uma área da Psicologia que procura compreender o comportamento do indivíduo quando este interage com outros indivíduos em um grupo.

Você certamente já viu na TV reportagens sobre confrontos entre torcidas em estádios de futebol ou em estações de metrô após os jogos. Esses confrontos constituem-se de uma sucessão de pancadaria e destruição do patrimônio público e, não raro, resultam em situações mais graves e morte.

Muitos daqueles torcedores não seriam reconhecidos como violentos pelas pessoas de seu convívio e seriam incapazes de praticar tais atos em outras circunstâncias, mas ali, são levados pelo grupo e nele manifestam um comportamento bem diferente de seu padrão cotidiano. Muitas vezes, nesses eventos, não fica evidente a presença de uma liderança, apesar de quase sempre ela estar presente. Liderança e grupo podem influenciar as ações do indivíduo.

Sejam quais forem seus valores, suas crenças, ocupações, caráter ou inteligência, quando transformados em um grupo, eles passam a possuir uma espécie de mente coletiva, que influencia sua maneira de agir, de pensar e de sentir.

 “A Onda” – Um filme que mostra como acontece a mente coletiva

O filme “A Onda” mostra um experimento realizado numa universidade americana, em 1967, em que ficam evidentes as influências do grupo sobre o comportamento do indivíduo. Tudo começa com a necessidade de um professor de História em mostrar aos seus alunos a atmosfera alemã na década de 30 do século passado, a ascensão do nazismo e suas consequências funestas.

Diante do desinteresse da turma, ele decide propor um experimento, no qual reproduz algumas práticas nazistas: o uso de um slogan (Poder, Disciplina e Superioridade), a adoção de um símbolo gráfico para representar “a onda”, uniformes e continências, etc. Aderir a essas práticas tornava o indivíduo membro do grupo, trazendo-lhe o reconhecimento social.  Qualquer questionamento, qualquer evidência, por menor que fosse, de desobediência às regras era motivo de exclusão. O indivíduo era banido do grupo e passava a viver um ostracismo social.

O que o professor não esperava era que fosse haver uma adesão maciça dos alunos à essa iniciativa coercitiva. Eles passaram a se comportar com total submissão às regras de “A onda”, reforçados por um conjunto de recompensas, sendo a principal delas a aceitação social.

E é aí que a situação foge do controle

A onda se espalha por toda a escola, com os alunos cada vez mais dispostos a orientarem seu comportamento pelas regras do grupo, abrindo mão de seus valores e crenças pessoais. Uma das cenas mais impactantes do filme é aquela em que o professor faz um discurso desmascarando a ideologia totalitária que orienta o comportamento dos alunos e mostra como se dá o desaparecimento do indivíduo, diante do fanatismo de uma causa e do poder de um líder persuasivo.

As ideologias totalitárias e o desaparecimento do indivíduo frente às pressões do grupo são questões relevantes para a Psicologia Social, portanto, importantes para compreender a extensão do poder do grupo sobre o indivíduo e como esse poder se manifesta.

Pelo relato sobre o filme “A onda”, viu-se que a Psicologia Social pode explicar a ação dos grupos como sendo muito mais do que a soma das ações do indivíduo e que a compreensão da dinâmica dessas ações é importante para a identificação e o combate à violência e à segregação racial e social.

Pode-se então dizer que a Psicologia Social tem um papel estratégico diante do atual cenário brasileiro no que diz respeito aos conflitos sociais e a violência? Qual é a sua opinião sobre o assunto? Compartilhe conosco nos comentários abaixo:

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