A prática do Serviço Social

As dimensões e a instrumentalidade do Serviço Social bem como seu arsenal técnico-operativo aplicados pelo profissional de assistência social.

1. O serviço social como profissão

Na trajetória histórica do Serviço Social, observa-se a instrumentalidade subdividida em três níveis: no que diz respeito à sua funcionalidade ao projeto reformista da burguesia; no que se refere à sua peculiaridade operatória (aspecto instrumental-operativo); e como uma mediação que permite a passagem das análises universais às singularidades da intervenção profissional.

Desde o período em que o Serviço Social ainda fundava sua base de legitimidade na esfera religiosa, passando pela sua profissionalização e os momentos históricos, hoje se vale de um conjunto de técnicas e instrumentais, em outras palavras, uma tecnologia social.

As profissões se criam como especializações do trabalho coletivo para atender necessidade, portanto, o Serviço Social surge num contexto de administração de carências materiais, sendo legitimado pelo capital na qualidade de principal requisitante institucional.

Na empresa a prática do Serviço Social não escapa a essa generalização. Nela, a despeito de algumas singularidades, o Serviço Social também é assumido como um instrumento de intervenção nos “problemas sociais”, entendidos como situações de carências do trabalhador que interferem na produtividade da força de trabalho. Assumindo assim, a função técnica específica no interior das empresas, de mediar soluções de carências e conflitos dos trabalhadores.

2. O potencial negador do trabalho

Ao enfocar a participação do trabalhador como requisitante potencial do Serviço Social nas empresas, afirmamos a sua participação na construção da prática da profissão. Por outro lado, a presença das necessidades no cotidiano do trabalhador é problematizada na medida em que estas são expressas na consciência social, através do discurso da classe trabalhadora. Admitindo tais pressupostos, é possível concluir que as políticas sócio-assistenciais geridas pelas empresas não excluem a participação do trabalhador, na sua formulação, inclusive como estratégia de atendimento a interesses tanto do capital como do trabalho.

Da mesma forma, na medida que o assistente social é requisitado pela instituição, para atuar na administração e execução dos serviços assistenciais, sua ação atende a prioritariamente ao capital sem, contudo, excluir o atendimento ao trabalhador, nos limites dados pelas condições objetivas existentes. Na verdade, a exploração de uma classe sobre a outra é condição para a acumulação e reprodução do capital, de um lado, e da reprodução da força de trabalho, por outro lado. Entretanto, as relações de produção capitalista têm uma natureza dialética e, por isso mesmo, somente podemos compreendê-las numa perspectiva global, a partir do próprio conceito de modo de produção.

Embora se esteja falando de um potencial negador, não se quer dizer que este potencial se transforme espontaneamente numa organização política de classe. Ao contrário, entendemos que tal superação somente poderia ocorrer a partir da emergência de situações sociais críticas agentes, em um determinado momento histórico objetivo; ou ainda, pela via da organicidade política com os intelectuais.

Não se trata, pois, de reduzir a consciência social de uma classe a características internas. Trata-se de admitir uma categoria de trabalhadores enquanto possibilidade de virem a se transformar em força social, em havendo condições propícia ao desenvolvimento da práxis transformadora no meio incluso. O discurso dos trabalhadores, aqui utilizado, expressa o nível da consciência real da sua participação nas políticas sociais das empresas, enquanto suprimento de suas necessidades e quanto empregado de uma empresa capitalista.

Ora, na medida em que o Serviço Social é requisitado tanto pelo capital como pelo trabalhador, a sua prática será necessariamente determinada e guiada pela opção ideológica dos seus agentes ao projeto de uma classe ou de outra.

Ao caracterizar o assistente social como um agente subalterno, o trabalhador decifra a lógica da fidelidade do assistente social ao empresariado.reconhecendo limitações, mas distinguindo intenções, o trabalhador coloca as necessidades e o trabalho do assistente social como circunstâncias que fazem parte de uma situação. Embora não possamos falar de um projeto, é possível observar o potencial negador do trabalhador na sua prática cotidiana. Por outro lado, ao perceber o jogo da empresa, e do Serviço Social tradicional, o trabalhador, ao mesmo tempo em que requisita e se beneficia da “ajuda”, constrói e afirma o seu “potencial negador”, apontando, inclusive, para uma nova prática do Serviço Social.

 

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