A Psicologia e seus Desafios na Prevenção ao Suicídio

Vivemos em uma sociedade em que a premissa é a alegria, o conforto e a estabilidade emocional. Não é permitido sofrer!!!

Quem sofre nos dias de hoje, em uma sociedade individualista de redes sociais alegres e sorridentes, sofre sozinho. Ou apenas acha que é assim. Então, seguem todos se escondendo, porque é feio, é vergonhoso sofrer.

O índice de suicídio é muito triste e alarmante. A cada 45 minutos um brasileiro comete suicídio e esses dados ficam ainda piores no cenário mundial, uma pessoa a cada 45 segundos. Total de 32 brasileiros por dia. E pior, tem ocorrido um crescimento de 60% nos últimos 45 anos. Os dados mostram que a faixa etária com o maior percentual é no final da adolescência e início da vida adulta, momento de muitos questionamentos de carreira, de identidade e de futuro.

Muitas vezes o suicida não quer morrer! O suicídio na maioria dos casos é visto como a única saída para sanar um sofrimento insuportável que a pessoa sente que não vai acabar. E a morte pode ser encarada como o mal menor diante daquela dor.

Sofrer é um tabu! Por este motivo é que quando enfrentamos uma dor, a tendência de muitos é apenas tentar se libertar do sofrimento, e não procurar respostas para crescer a partir dela. Isso inclui, procurar ajuda para entender que a dor pode ser um ponto de evolução do seu estado de ser atual.

Qualquer tipo de dor pode ser uma alavanca para um aprendizado e para o crescimento pessoal. Muitas vezes a dor é tão forte que a pessoa não consegue enxergar isto.

Sofrer faz parte do processo natural do ser- humano. É assim que se transforma, pois é no movimento de falta que se busca preencher. E assim, fazemos parte de uma natureza de ciclos de vazios e de eterna busca. Ao compreender isso nos tira muito o peso da fraqueza dos ombros sofridos. E assim nos identificamos como parte do processo natural e um breve conforto de pertencimento a sociedade.

A vida é 10% o que acontece a você e 90% como você reage a isso
Chuck Swindoll

Não só nós psicólogos fazemos o papel de prevenção, mas sim toda uma sociedade ao entender e aceitar melhor nossas possíveis quedas. Assim, quem está sofrendo aceitará mais sofrer e pedir ajuda quando for preciso.

Como psicólogos podemos guiar nossos pacientes neste momento. Entender esta dor e mostrar que é digno sofrer. E junto com seu paciente tentar encontrar uma forma de dar sentido para esta vida, unindo forças, pois agora ele não está mais sozinho nesta batalha.

E quando você conseguir entender e circular pelo inferno daquela pessoa, juntos será possível encontrar esta alavanca.

Analisar o passado, responsabilizar terceiros, e tentar eliminar o sofrimento, pode aliviar a culpa, mas também tira qualquer possibilidade de reação.

Vencer esta batalha muitas vezes está mais voltado para um ideal de futuro do que na analise do passado. Nosso trabalho como psicólogo é saber identificar onde está o sentido para aquela pessoa e se agarrar nesta força.

Algumas posturas, podem ajudar:

  • Não banalizar
  • Escutar com qualidade
  • Não desqualificar o sofrimento
  • Acolher e validar a dor
  • Não aconselhar
  • Unir-se a pessoa na busca pela solução do problema
  • Procurar junto a pessoa algo significativo daquela experiência de dor
  • Identificar outros sentidos pelos quais a vida vale a pena

Como dizia Jung: “Quando você alavanca em direção ao crescimento, a natureza se movimenta para trazer as ferramentas que precisa. Aflora poderes latentes para chegar e ter vitória. Isto é sincronicidade!

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