Brincar contribui para o desenvolvimento infantil

A brincadeira permite que a criança dê significado a momentos de crise e elabore vínculos afetivos e sociais

Quanto tempo as crianças são capazes de brincar sem interrupção? Segundo observadores, as de 2 anos concentram-­se cerca de cinco minutos em uma única atividade; as de 5, 15 minutos. Qual o sentido dessa medição? Preocupados com as futuras gerações, especialistas questionam a qualidade da infância atual, em especial o tempo diário destinado às brincadeiras. Vital para o desenvolvimento infantil nos aspectos social, psicológico e cognitivo, brincar é o principal meio encontrado pelos pequenos para adentrar o universo das relações humanas. É o que lhes permite elaborar vínculos afetivos e sociais, bem como desenvolver a criatividade e o interesse pela aprendizagem.

Segundo a educadora Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisa do Brincar e Educação Infantil da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, cerca de 70% das crianças da classe A de 5 a 7 anos brincam quase o tempo todo sozinhas. Segundo ela, isso pode representar um problema, já que brincar é uma atividade que só tem efeito simbólico quando feita em grupo. Para sociólogos franceses, as brincadeiras propiciam às crianças socialização que vai além de sua integração ao grupo. O que mais conta é a dinâmica das relações durante atividades lúdicas, o vínculo entre o conhecimento de si e do outro.

Do ponto de vista subjetivo, a brincadeira é a forma infantil de dar significado a momentos de crise. Com cada vez menos “tempo livre” para o lúdico e com o constante gerenciamento das brincadeiras, diminuem as chances de a criança conquistar, a seu modo, o equilíbrio dinâmico nas relações pessoais. Em países onde a pressão social por bons desempenhos é mais forte a situação tem se mostrado ainda mais preocupante. Um levantamento feito com crianças chinesas (em geral filhos únicos) constatou que prevalece na China a relação competitiva entre crianças, estimulada pelos adultos. Os pequenos são sobrecarregados pelo excesso de cobranças e o resultado é a alta incidência de estresse e solidão já aos 6 anos.

 

Fonte: Mente e Cérebro

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