Constelação Familiar Sistêmica: conheça essa abordagem terapêutica

Um paciente entra no consultório do psicoterapeuta e recebe um convite inusitado: vamos constelar? Ele se assusta em um primeiro momento e logo percebe que não se trata de nenhuma modalidade de observar estrelas, mas sim de uma nova forma de olhar para si mesmo!

A Constelação Familiar Sistêmica é uma nova abordagem terapêutica baseada em técnicas de psicodrama que auxiliam o indivíduo a lidar com suas crenças limitantes. Essas crenças são atitudes, pensamentos e formas de agir que muitas pessoas herdam de seu ciclo familiar e que, muitas vezes, atrapalham o desenvolvimento do indivíduo na área profissional, pessoal, financeira e muitas outras.

Conheça um pouco mais sobre a modalidade e saiba como ela pode te auxiliar.

Origem

Os estudos sobre Constelação Familiar Sistêmica começaram a ser feitos por vários especialistas ao redor do mundo. Os fundamentos essenciais foram captados dos trabalhos de Virginia Satir, Jakob Moreno e Fritz Perls. A teoria foi sintetizada pelo alemão Bert Hellinger.

O terapeuta alemão destaca que não se pode explicar exatamente o que acontece em uma constelação familiar, é preciso sentir para se ter a real dimensão do poder da terapia. É uma experiência que tem uma base teórica e experimental grande, mas que não pode ser plenamente compreendida se a pessoa não a vivenciar.

Crenças limitantes

Toda família é formada por valores, crenças e pensamentos mais ou menos parecidos, que vão passando de geração a geração. Eles podem estar relacionados a diversos aspectos da vida, como o familiar, o afetivo, o profissional ou o religioso. As crenças limitantes são aqueles padrões de pensamentos enraizados, que nos impedem e limitam a nossa ação.

Pensamentos como “todo homem é infiel”, “não mereço ser feliz porque sou gordo” ou “não posso ter êxito na vida profissional porque sou pobre” são alguns desses tipos de pensamentos. Às vezes, eles são tão fortes que marcam várias gerações em uma família, impedindo que essas pessoas se realizem.

A dinâmica

A Constelação Familiar Sistêmica pode ser feita em grupo ou de forma individual. Na modalidade em grupo, reúnem-se pessoas que não se conhecem, e cada pessoa contribui com o processo do outro. A pessoa que vai constelar deve levar uma questão, sobre a qual a terapia será conduzida. As outras pessoas do grupo participarão como personagens da vida daquela pessoa.

Por exemplo, se um indivíduo leva alguma questão relacionada a uma difícil convivência com o pai, é escolhido algum membro do grupo para representar o pai da pessoa. O terapeuta vai conduzindo a dinâmica de forma que as situações e os sentimentos passados possam ser vivenciados novamente pela pessoa.

Além da constelação em grupo (com representantes pessoas) há também a constelação individual com bonecos. Esta modalidade é muito utilizada quando não há a possibilidades de ter representantes pessoas ou quando a pessoa fica inibida para fazer em grupo.

Inibição

Muitas pessoas ficam inibidas quando conhecem o funcionamento da Constelação Familiar Sistêmica, pelo fato de ela envolver pessoas desconhecidas. As pessoas têm vergonha de expor um problema familiar na frente de quem elas nunca viram, inclusive porque, muitas vezes, acham que são as únicas pessoas a passarem pelo problema em questão.

Isso é vencido logo no início da dinâmica. Justamente por você não conhecer as pessoas é que você vai se encorajar mais facilmente a falar sobre coisas que não falaria com ninguém próximo. Naquele momento, ninguém se sente capaz de julgar ninguém, porque todos desconhecem a realidade e os dramas dos outros.

O interessante é que, ao longo do processo, as pessoas vão se identificando nos dramas alheios e encontram, neles, respostas para suas próprias questões. Nesse ponto, a terapia do grupo é valiosa. Todos contribuem para o crescimento de todos.

A família no centro

Você deve estar se perguntando por que se fala tanto em família nessa modalidade de terapia. Primeiro, porque a família é a base da formação do indivíduo e, por mais que as pessoas convivam com outras pessoas, ela é o berço de seus hábitos e comportamentos. A Constelação Familiar Sistêmica tem, como o próprio nome diz, as relações familiares como foco.

Mesmo tendo como referência a família, a terapia funciona para orientar o indivíduo sobre questões relacionadas ao mundo do trabalho, da sexualidade, da religiosidade, entre tantas outras situações.

A figura do terapeuta conduz o encontro para que as pessoas falem de suas dificuldades, mas com o mínimo de intervenção possível. É interessante, também, dar tempo para que as pessoas pensem e avaliem a si mesmas. O silêncio também é valioso em processos de autoconhecimento.

A decisão de constelar

Mas o que motiva um indivíduo a procurar a Constelação Familiar Sistêmica para trabalhar alguma questão especial? Apesar de existirem muitas modalidades de tratamento e acompanhamento psicoterapêuticos, a Constelação se apresenta como uma modalidade que começa a fazer efeito desde a primeira sessão.

Não se pode estimar quantas sessões a pessoa vai precisar para resolver a sua questão. Desde o primeiro encontro, o indivíduo já começa a aguçar a percepção para situações e hábitos que ela nunca havia percebido. Pode-se querer realizar outras sessões para descobrir desdobramentos ou levar outra questão, mas nunca se sai de uma constelação da mesma maneira.

A escolha da questão

Muita gente fica em dúvida sobre qual questão levar para a Constelação Familiar Sistêmica. As pessoas pensam em muitos conflitos e não conseguem sintetizar isso em uma única questão. É interessante pensar que a maior parte dos conflitos pessoais estão ligados a uma questão principal.

Para escolher qual questão levar, pense nas suas dificuldades e nas crenças limitantes que atrapalham a sua vida. Verifique as implicações dessas crenças e formule questões que possam significar aquilo que precisa ser explicado.

Muita gente pensa que a Constelação Familiar Sistêmica tem alguma relação com linhas religiosas, e isso não é verdade. Trata-se de uma modalidade terapêutica baseada em estudos e em teorias amplamente exploradas e estudadas.

Para escolher com que profissional fazer, é importante levar em consideração se as práticas obedecem aos princípios da teoria de Bert Hellinger e valorizam a autonomia e a decisão das pessoas que decidem participar. A prática não tem como objetivo expor ou ridicularizar as pessoas. Ela é um caminho de busca e de entendimento pessoal

Você acha que estudar os conceitos da Constelação Familiar Sistêmica pode te ajudar a superar questões pessoais, profissionais ou de outra ordem e também ampliar a sua atuação profissional tendo essa prática como uma ferramenta no seu campo de atuação?  Verifique as datas dos próximos Cursos de Constelação Familiar e garanta já a sua vaga.

Sobre o Curso Constelação Familiar Como Técnica Psicoterapêutica criado pelo Ciclo CEAP.

  • Objetivo:

A meta do trabalho de constelação é resolver envolvimentos, separar misturas e incluir partes do sistema anteriormente excluídas, a fim de permitir que o cliente alcance a integração em um nível mais elevado do que antes. É uma terapia breve capaz de identificar a origem de muitos dos “males” que nos afligem e, através da energia do amor, desatar nós e abrir novas possibilidades para o futuro. Este trabalho se baseia na existência de uma consciência familiar que “rege” nossos destinos.

  • Formato: Presencial
  • Carga horária: 40 horas/aula
  • Quem pode fazer:  Psicólogos, estudantes, educadores, médicos e interessados em Constelações Familiares
  • Quando: verifique as próximas datas aqui

 

Artigo anteriorPróximo artigo