Um filme de Luiz Rosemberg Filho com Patricia Niedermeier e Ana Abbott.

O filme conta a história de duas noivas que esperam, em uma sala da igreja, enquanto seus casamentos não começam. Mas elas não estão ansiosas, como o esperado: e sim agem como fantasmas, em um horror existencial. Enquanto aguardam serem chamadas para o início de suas respectivas cerimônias, refletem sobre suas relações e vidas.

Dois Casamentos nos apresenta, em um cenário completamente vazio, a duas noivas. O que as diferencia à primeira vista são suas idades, como a mais velha faz questão de declarar: “após os trinta anos, você se agarra na primeira oportunidade que aparece, pois do contrário acaba ficando pra titia”. A mais jovem, no entanto, não é tão cética, e acredita estar ali movida pelo sentimento mais nobre de todos: o amor. Aos poucos descobrimos que elas estão à espera de alguém – dos noivos? dos pais? dos padrinhos? – em um lugar público – na igreja? no salão de festas? na casa de uma delas? – cuja identidade nunca chega a ficar clara. O que importa é o que uma tem a dizer a outra. E, assim que os diálogos começam, os sonhos começam a se desfazer.

 

dois casamentos

Remetendo aos textos mais clássicos da literatura mundial, o que vemos na dinâmica que se estabelece entre as duas personagens de Dois Casamentos é o anseio de uma em acabar com as ilusões – ou aspirações – da outra, motivada pela própria amargura experimentada em sua existência. Assim, aquela que deveria ser a mais vivida e sábia se revela também a mais ciumenta e invejosa, cruel em suas decepções e ávida a eliminar o brilho dos olhos da outra. Ou melhor, em um processo de eliminação por posse, quer pegar para si o que a outra ainda tem de esperança a partir da absorção do que essa tem de melhor. Aglutina-se em um método que vai do teórico ao sexual, como se as duas fossem apenas facetas não tão diferentes de uma só identidade.

Terapia Sistemica de Casal

 

Fonte: www.papodecinema.com.br

 

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