O QUE NÓS PSICÓLOGOS PODEMOS FAZER PELO BRASIL?

Uma reflexão sobre o abuso para a psicologia e a situação do país

Em termos de relações humanas, o conceito de abuso aplica-se a qualquer ação humana onde exista uma ação intimidatória unilateral frente à condição de desnível de poder, seja ele em relação a objetos, seres, legislações, crenças ou valores.

O abuso pode vir associado à ideia de poder do abusador sobre o “objeto” abusado, que não pode ou não quer, por motivos intimidatórios reais ou não, resistir ou se contrapor ao abuso.

Para a psicologia o termo abuso está normalmente associado ao abuso sexual, moral ou psicológico e permeia as relações pessoais, familiares ou de trabalho.

Cenas da vida real neste país dos absurdos

No entanto, existe uma aplicação do termo “abuso”, que está emergindo cada dia mais na vida de quase todos os brasileiros que assistem perplexos às cenas surreais de abuso explícito da classe política de todos os partidos, e de grande parte dos poderosos, sobre os brasileiros da nossa sofrida nação.

As consequências pessoais do abuso sexual, moral ou psicológico são bastante conhecidas pelos psicólogos, e tem como principais sintomas a baixa auto-estima, hostilidade, agressividade, violência, empobrecimento das habilidades sociais e depressão. Outros problemas também aparecem como ansiedade, medos, pesadelos, isolamento social e queixas somáticas.

E por estes caminhos sombrios segue nosso Brasil e seu povo abusado, roubado, destituído de toda dignidade, envergonhado diante do mundo, apresentando todos os sintomas do abuso dos poderosos, que já não se envergonham diante de tanto absurdo, que não hesitam em manobrar as leis e suas vírgulas de forma escancarada, para que sigam impunemente diante da perplexidade dos seus abusados.

O que mais podemos fazer?

Como psicólogos, será que nosso dever é somente acolher e tratar das vítimas destes abusos? O que fazer diante destes indivíduos que nos procuram em nossos consultórios com sintomas diversos, frutos da falta de esperança e da sensação de impotência diante disto tudo que assistimos, também impotentes?

Uma reflexão é inevitável: Como profissionais da saúde mental, como formadores de opinião, como cidadãos brasileiros, que mais podemos fazer?

Luciana Lemos

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