O que queremos e fazemos por nossas crianças?

Ao aproximarmos das festas de fim de ano e pensarmos sobre o tempo em família, as crianças e suas demandas nos convocam a refletir sobre o valor e importância desta etapa crucial da vida. Devemos realçar a alegria do ser criança, mas também podemos refletir sobre a qualidade da infância conquistada nos últimos tempos. No campo científico os progressos foram enormes. A mortalidade infantil combatida por vários programas sociais se reduz a cada ano. As condições de higiene e cuidados com as crianças, bem como as ações voltadas para as mesmas são reconhecidas a nível mundial.  Mas há um lado escuro do universo de algumas crianças, que não é falado e até diria camuflado.

Quando uma criança carece de bens materiais (alimentos, roupas, entre outros) conseguimos prontamente ver a sociedade se mobilizar em prol deste atendimento. Quando a criança necessita de apoio psicológico ou sofre um abuso em sua integridade subjetiva a resposta social é morosa e às vezes, evasiva. Como é difícil reconhecer a necessidade do outro quando não há marcas concretas desta dificuldade. O alimento para o ser humano não pode restringir-se somente aquele que passa pelo estômago. A mente necessita digerir, processar tudo aquilo que a envolve, que a toca.

Quando uma criança é abusada sexualmente sua integridade física e emocional se compromete. A sociedade vem repensando sua posição diante disto. Vimos recentemente a mudança em alguns artigos da lei 12.015/09, cujo texto passou a valer a partir de 7 de agosto do ano de 2009 e promoveu alterações no Código Penal e na Lei de Crimes Hediondos, com o objetivo de tornar mais severas as punições aos crimes de estupro e pedofilia.  É preciso repudiar de todas as maneiras esta violência contra todas as pessoas e principalmente, contra a criança. Já que ela está em desenvolvimento, constituindo sua personalidade, estruturando suas defesas, não sendo capaz ainda, de realizar qualquer tipo de proteção a si mesma. Assim, cabe aos pais e familiares a função protetora da infância. Mas é neste sentido que reside outro problema detectado em várias pesquisas científicas. O abusador ou violentador pertence em muitos casos à família ou tem contato próximo com o agredido ou violentado. E em muitas situações descritas em fatos reais, há uma conivência da figura materna em manter em segredo a conduta da agressão ou violência efetivada.

O que fazer diante desta problemática? Penalizar e condenar não serão suficientes para reparar os danos causados. Contudo, no momento em que trazemos brinquedos e carinho aos filhos e crianças de nossa convivência, urge refletir sobre a qualidade emocional dos ambientes que os rodeiam. É importante lembrar:

Qual a proteção que temos feito aos ouvidos, aos olhos e ao corpo de nossas crianças? O abuso e a violência causada a qualquer pessoa não pode ser medida com nenhum aparelho tecnológico. Resta-nos compreender as responsabilidades sobre o outro infantil, que é sem dúvida, para além de suas necessidades biológicas.

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