Jorge, um homem transexual heterossexual, é apaixonado e casado há 3 anos com Sophia, uma mulher transexual bissexual. Seriam os dois considerados como um casal “de verdade”?
Quais são as diferenças entre as terminologias sexo anatômico, expressão de gênero e orientação sexual?

A cirurgia de redesignação sexual está disponível igualmente para homens trans e mulheres no Brasil?
Os recursos biotecnológicos são os mesmos para a construção de uma neovagina e de um neopênis?
Qual é o papel de um psicólogo no acompanhamento profissional de casos clínicos de pessoas trans?

Qual é o papel da Psicologia perante o movimento internacional de despatologização trans?

Todo sujeito trans quer se submeter à cirurgia? Quais outras estratégias (estéticas, hormonais e clínicas) são importantes no processo de transição para a (re)construção de corpos masculinos e femininos?

Silmara é uma travesti de 23 anos que está cursando pedagogia numa universidade federal brasileira. Se ela fizer a cirurgia, conseguirá se inserir mais facilmente no mercado de trabalho?
Como a cisheteronormatividade reitera normas, legitima saberes e define marcadores de gênero na sociedade contemporânea?
O que significa cada letra da complexa sigla LGBTTTIAQ?

Se você não soube responder essas questões, não se preocupe, você não é o único!

O campo de estudos de gênero e diversidade sexual é historicamente recente, estamos vivendo em plena transformação de valores sociais, desejos, experiências sexuais, recursos linguísticos, vivências corporais e posições políticas. Esse cenário polissêmico demanda da Psicologia um repensar de suas práticas, condutas e abordagens.

As fronteiras entre masculinidade e feminilidade nunca estiveram tão tênues, os órgãos genitais isoladamente se tornaram insuficientes para classificar um corpo como de homem ou de mulher. Outros aspectos da subjetividade trazem importantes contribuições na definição, ainda que temporária, dos papeis de gênero na sociedade contemporânea.

Na busca pelo rompimento com os binarismos reducionistas homem-mulher, homossexual-heterossexual, natureza-cultura, ativo-passivo entre muitos outros, as teorias pós estruturalistas de gênero propõem uma ampliação de consciência, a partir da desconstrução das certezas social e culturalmente disseminadas e naturalizadas pelo discurso. Nesse contexto, o campo da Psicologia se constitui como significativo lócus para promoção de uma reflexão crítica acerca do sujeito, visibilizando outros modos de ser e estar no mundo, modos estes nomeados de dissidentes ao produzirem corpos abjetos.

Esses e outros polêmicos temas serão abordados e discutidos no curso Psicologia e a Diversidade Sexual e de Gênero do Ciclo CEAP.

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