Seu cérebro pode estar viciado no Facebook

Seu cérebro pode estar viciado em Facebook - Blog Ciclo CEAPpor Cassie Murdoch

É difícil de acreditar, mas houve um tempo, há menos de uma década, em que o Facebook sequer existia. Não havia jeito de dizer imediatamente a todo mundo que você havia conhecido um lugar que serve uma costela deliciosa ou que sua filhinha finalmente está usando o pinico. (Finalmente! Todos respiram fundo). Mas apenas em poucos anos, desde que brotou na mente de Zuckerberg, o Facebook praticamente tem tomado nossas vidas, e agora ele pode destruí-las. Sim, como o crack e álcool fizeram antes, Facebook parece ter um porão inquebrável no nosso cérebro.Felizmente, cientistas descobriram o porquê de nós não conseguirmos parar de curtir tudo que vimos e até conseguiram criar um teste para dizer se você tem ou não um problema sério com Facebook. Pronto para descobrir se você está a um update de arruinar sua vida?

Quanto ao porquê de nós termos ficado tão dependentes de sugar o tempo todo a interface azulzinha inventada por Mark Zuckerberg, verifica-se que o Facebook atua basicamente nos nossos cérebros cansados do mesmo jeito que qualquer coisa prazerosa age. Atualmente, o Facebook não tem muita novidade, mas a possibilidade que ele nos dá de nos vangloriar em massa sobre nós mesmos é o que faz a coisa valer a pena. Um novo estudo feito por neurocientistas de Harvard descobriu que falar sobre nós mesmos nos dá prazer parecido como o de comer, ganhar dinheiro ou fazer sexo. Uma simples auto-vangloriação = uma simples torta gostosa, ou algo parecido.

De qualquer forma, Diana Tamir, a principal pesquisadora deste estudo, explica: “a auto-exposição é uma gratificação extra. Pessoas estão dispostas a abrir mão de dinheiro em troca de falar sobre si mesmas”. Felizmente, ou infelizmente, depende de que lado do discurso você está, a internet oferece maneiras quase ilimitadas de você falar sobre si durante 24 horas por dia, todos os dias da semana. Basicamente um jogo gigante de “mas, vamos parar de falar sobre mim, falemos sobre você. O que você acha de mim?”.

Sendo assim, como a necessidade que você tem de gabar aos seus amigos distantes no Facebook  tornou-se tão necessária para o funcionamento do seu cérebro a ponto de se tornar uma dependência? Bom, você pode começar avaliando a si próprio usando a Escala Bergen de Dependência do Facebook. Ela foi desenvolvida pela psicóloga Cecilie Schou Andreassen, da Universidade de Bergen (daí o nome), que revela que – sem surpresas – que os sintomas de vício por Facebook são bem parecidos com vício em álcool ou drogas. Uma questão: porque esse teste não é oferecido para nós assim como os terríveis quizzes que o Facebook fazia a gente responder até pouco tempo atrás? De qualquer forma, prepare-se para ser diagnosticado.

Para se analisar usando a escala, leia os próximos tópicos e responda a eles uma das alternativas seguintes: 1) muito ramente; 2) raramente; 3) às vezes; 4) muitas vezes e 5) sempre, para cada um, sobre de quanto em quanto tempo você faz a ação questionada. Lá vai:

  • Você gasta muito tempo pensando sobre Facebook ou planejando usar o Facebook.
  • Você sente desejo de usar o Facebook mais e mais.
  • Você usa o Facebook para esquecer dos seus problemas pessoais.
  • Você tentou parar de usar o Facebook, mas sem sucesso.
  • Você fica inquieto ou perturbado quando é proibido de usar o Facebook.
  • Você usa o Facebook tanto que isso causou um impacto negativo no seu trabalho ou estudos.

Se você marcou as alternativas 4 ou 5 em ao menos quatro desses itens, você pode ser um viciado em Facebook. Então, o que você deve fazer? Sinta-se livre para responder essa questão postando no seu status da rede social caso você sinta necessidade. Você precisa dar um check in em uma clínica de reabilitação para Facebook?

Bom, se você está descendo ladeira abaixo em direção ao abismo do Facebook, você não está sozinho. Aparentemente, de acordo com a pesquisa de Andreassen, o vício em Facebook ocorre de forma comum especialmente entre os jovens do que entre as pessoas mais velhas, que parecem logar às vezes, com espaços de semanas entre uma visita e outra – o que é uma frequência inconcebivelmente baixa para mim. NÃO QUE EU TENHA UM PROBLEMA. Além disso, a dependência tende a ocorrer mais entre as pessoas que são inseguras ou ansiosas. As mulheres têm maior risco de criar vício na Grande Besta Azul.

Como o vício no Facebook se comporta da mesma maneira que qualquer outro vício é bem provável que em breve alguns tratamentos para o problema apareçam também. Em breve anunciaremos ao mundo – usando nossas vozes – que estamos limpos por X dias e iremos ao Facebookers Anônimos, onde nossos mestres nos pedirão gentilmente para falar em tom baixo sobre a necessidade de ficar muito tempo online e contar a todos sobre nosso pior encontro às cegas ou sobre chover lá fora. Vamos torcer apenas para não chegarmos ao ponto de conhecer pessoas que tiveram overdose de Facebook.

 

Via JEZEBEL
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