SUICÍDIO – O último ato de coragem diante do medo de viver

 

“Sou um desesperado pelo amor e pela atenção de desconhecidos”

Há quatro anos o mundo perdia um dos mais admiráveis atores da atualidade.

A notícia do suicídio de Robin Willians chocou o mundo e trouxe novamente a discussão sobre o tema do autoextermínio.

O que faz uma pessoa que teve a admiração de milhões de pessoas ser tão carente de amor? Muito se falou na época sobre o que fez este homem tirar a própria vida, e as reflexões invariavelmente caíam sobre a depressão que invadira a sua vida.

Poderíamos ter falado de crenças de desamor, da busca incessante pelo sentido das coisas em meio ao sucesso que “tudo” traz, mas que também abre caminho para o uso das drogas e para o desenvolvimento de patologias mentais e sociais bastante graves.

Poderíamos falar também sobre o vazio e a solidão da fama, distante do glamour dos holofotes e da possibilidade de ser livre.

Porém peço licença para falar respeitosamente de um ser humano, certamente sensível, e que não aguentou ver sua humanidade degradar frente ao peso de uma doença progressiva e incurável.

Em entrevista à revista “People”, Susan sua mulher falou sobre a batalha do ator contra a demência de corpos de Lewy (DCL), doença neurodegenerativa progressiva, caracterizada pelo acúmulo de proteínas anormais nas células do cérebro, chamados de corpos de Lewy. “Não foi depressão que matou Robin.  A depressão foi, digamos, um dos 50 sintomas e um dos menos importantes”, disse ela.

Esse, talvez seja mais um triste caso, dentre os tantos outros que a mídia não noticia, em que a angustia da perda do caminho do viver na plenitude da legitimidade se torna tão intolerável, que o indivíduo prefere sair da cena da vida, como num ato de desespero ou até de profunda impotência.

Com respeito também, falo sobre todos aqueles que sucumbiram no último ato de coragem diante do medo de viver, numa dor e luta que só eles conheceram realmente.

O que penso como psicóloga é que muita gente não está se sentindo confortável neste mundo onde o espaço para o “ser” exige lutas diárias, muitas vezes insuportáveis.

Acredito que, como profissionais, podemos e devemos abrir novas formas de pensar e sentir a vida, e que podemos plantar sementes que levem as pessoas a reconectar com sua essência e sua força interna.

 

Luciana Lemos

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