Terapia de casal: uma demanda cada dia maior nos consultórios de psicologia

A terapia para casais não precisa ser algo que simboliza o rompimento do casamento. Pelo contrário, casais que buscam a terapia como solução tendem a resolver os problemas e encontrar uma forma mais harmônica de levar o relacionamento.

Na condução da terapia de casal, o profissional envolvido deve ter conhecimento das principais dúvidas e dos questionamentos que podem surgir quando essa opção é levantada.

Para isso, preparamos um conteúdo básico para que você, psicólogo, saiba um pouco mais sobre esse tipo de terapia.

Quando a terapia de casal é indicada?

Para o estudioso francês de psicologia Jean Lemaire, as indicações para a terapia de casal estão relacionadas aos tipos de funcionamento conjugal, compreendendo certas codificações que se tornam mais complexas entre os cônjuges. As partes do casal podem funcionar de maneira simbiótica ou fusional, ou pode ser que se defendam de modo intenso de tudo que julgam ser uma ameaça ao funcionamento simbiótico ou fusional de cada um. São esses os motivos que levam certos casais a ficarem agressivos e brigarem.

A terapia de casal também pode ser classificada como um caso particular da terapia familiar.

Qual tipo de terapia é mais aconselhado?

Na visão de outro estudioso francês, Robert Neuburger, o fato de decidir a especificidade da terapia, seja individual, familiar ou de casal, está relacionado à demanda dos elementos que figuram a necessidade. No caso da terapia de casal, o sofrimento, o sintoma e a queixa referem-se especificamente aos problemas entre os cônjuges.

Mas a escolha entre a terapia de casal ou individual, segundo Lemaire, nem sempre é evidente. Há pessoas que buscam a primeira opção para resolver questionamentos individuais. Mas há também as que possuem disfunções individuais que afetam o clima simbiótico do casal.

Portanto, é necessário conhecer os caminhos que as diferentes terapias podem abrir para cada indivíduo. Você, como psicólogo, deve identificar as funções que afetam cada membro ou o casal como um todo e então recomendar o tipo de terapia mais indicada, seja a individual ou a de casal.

Quais são os principais pontos abordados?

São diversos os motivos que levam casais a buscarem a terapia, mas, entre os mais comuns, estão: fidelidade, tédio, excesso de brigas, sexualidade, agressões morais ou físicas, desrespeito, falta de comprometimento e silêncio em demasia.

Sabendo dos tópicos mais abordados, você pode estudar maneiras de trabalhar com cada membro do casal a fim de restabelecer o equilíbrio na relação. A terapia deve enfatizar a mudança no sistema conjugal e reorganizar a comunicação entre as partes. Não é o caso de trazer à tona conteúdos reprimidos. O foco é o de dar atenção ao diálogo do casal, abandonando o passado como a questão central.

O que deve ser considerado no processo?

Quem busca uma terapia a dois precisa entender que o fato de participar de uma clínica de casais não quer dizer que o divórcio é o próximo passo. Você, como profissional, tem que deixar claro que a maior proposta é a de manter um relacionamento equilibrado. Em contrapartida, também deve deixar claro que não há mágica nesse processo.

Pode ser que o casal se entenda, reconhecendo possíveis falhas e acertos, como pode ser que decida que o melhor para ambos é mesmo pôr um fim ao relacionamento.

É importante saber também que não há um momento certo ou definido para que o casal procure esse tipo de apoio. Cada casal tem o seu ponto de necessidade a partir do qual ambos passam a reconhecer as insatisfações e, aí sim, buscam ajuda para evitar que as crises sejam crônicas.

O seu papel como psicólogo na terapia de casal é ser um intermediador entre os cônjuges, sempre buscando ampliar o diálogo e a visão das partes para o benefício da relação. Com os pontos abordados no post de hoje, você certamente estará mais preparado para praticar esse tipo de clínica. E se procura especializar-se na área, conheça o curso Terapia de Casal do Ciclo CEAP.

Você tem alguma dúvida ou sugestão sobre a clínica de terapia a dois? Compartilhe nos comentários abaixo!

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