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Dependência Química

Dependência Quimia

A Organização Mundial de Saúde define a dependência química como o “estado psíquico e algumas vezes físico resultante da interação entre um organismo vivo e uma substância, caracterizado por modificações de comportamento e outras reações que sempre incluem o impulso a utilizar a substância de modo contínuo ou periódico com a finalidade de experimentar seus efeitos psíquicos e, algumas vezes, de evitar o desconforto da privação.

Seguindo essa definição, o Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana (DSM-IV-TR) define a dependência como um padrão mal adaptativo do uso de substâncias, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, caracterizado pela presença de três ou mais dos critérios a seguir, pelo período de um ano:

• tolerância (necessidade de quantidades maiores para obtenção do mesmo efeito ou menor
intensidade do efeito com a dose habitual);
• abstinência (síndrome com sinais e sintomas típicos de cada substância, que são aliviados pelo
consumo);
• consumo por período de tempo mais prolongado e em quantidades maiores que o planejado;
• desejo persistente de uso e incapacidade para controlá-lo;
• muito tempo gasto em atividades para obtenção da substância;
• redução do círculo social em função do uso da substância;
• persistência do uso da substância, apesar de prejuízos clínicos.”

Como é realizada a Avaliação Clínica?

Diante de um paciente que faz uso de substâncias, é importante a caracterização detalhada do consumo, questionando, para todas as drogas consumidas:

• as motivações do uso;
• a quantidade utilizada;
• o padrão de uso;
• os aspectos circunstanciais do uso;
• os efeitos obtidos;
• o sentimento pós-uso.

Entre os diversos padrões de consumo possíveis, temos:

• uso experimental: o uso se dá uma ou poucas vezes ao longo da vida, sem que se estabeleça uma frequência de consumo;
• uso recreacional ou ocasional: há um consumo frequente da substância, porém sem que se possa estabelecer qualquer tipo de prejuízo decorrente;
• uso nocivo ou abusivo: o paciente apresenta algum prejuízo concreto de sua saúde física ou
mental ou se expõe a riscos, em decorrência de seu uso;
• dependência: os critérios propostos pelo DSM-IV-TR, citados na introdução, devem ser
preenchidos.

Além disso, deve ser feita uma pesquisa ativa acerca da presença de comorbidades psiquiátricas, já que estão presentes em até 80% dos alcoolistas e em até 70% dos dependentes de substâncias ilícitas. Depressão e transtornos ansiosos são as comorbidades de eixo I mais comumente encontradas. Não existe consenso na literatura quanto ao potencial que as substâncias apresentam para desencadear quadros psiquiátricos mais graves, como transtornos do espectro bipolar e psicóticos, que também são encontrados em associação ao abuso de substância.

Comorbidades com eixo II também são frequentes, especialmente com os transtornos que incluem a impulsividade como traço-chave, como os transtornos de personalidade do cluster B. A importância dessa avaliação psiquiátrica detalhada reside no fato de a presença de comorbidades influenciar diretamente o curso clínico, o prognóstico e o planejamento terapêutico do quadro. O exame do estado mental deve sempre ser feito com o paciente fora do estado de intoxicação. Deve ser realizada, ainda, criteriosa avaliação clínica, com exame físico cuidadoso e avaliação com exames complementares completa, com ênfase na avaliação da função renal e hepática, assim como na presença de infecções, tais como hepatites B ou C, além do HIV.

O ECG também é fundamental, uma vez que diversas substâncias, como os estimulantes, podem interferir com a perfusão e a eletrofisiologia cardíacas. Essa avaliação torna-se ainda mais imperiosa quando se considera que muitos pacientes usuários de substâncias vivem em situação marginal e sem acesso aos serviços de saúde, sendo o psiquiatra, muitas vezes, seu único contato com um profissional da área da saúde.

Porque algumas pessoas que usam drogas se tornam dependentes e outras não?

A dependência não se dá por um único fator, mas sim, múltiplos fatores interferem no seu estabelecimento, como: questões neurobiológicas e neurofisiológicas, a genética, características de personalidade, o ambiente onde a pessoa vive, fase da vida, tipo de droga… É a combinação de vários fatores que vai levar um indivíduo a ter mais chances de desenvolver problemas em relação a uma determinada substância em um dado momento de sua vida.

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