Indicação de livro: O DRAMA DA CRIANÇA BEM DOTADA

Indicação de livro: O DRAMA DA CRIANÇA BEM DOTADA“…A pessoa que conscientemente trabalhou toda a tragédia de seu destino reconhecerá mais fácil e rapidamente o sofrimento do outro, mesmo que este ainda precise tentar escondê-lo.” Alice Miller

Precisamos estar atentos à importância do auto cuidado na relação de ajuda.

A ajuda eficaz somente ocorre depois de encaramos conscientemente as nossas histórias e aceitá-las, tal como elas aconteceram.

Este é um processo de profunda entrega e reconexão com a vida. E é um caminho que poucos estão dispostos a percorrer, pois emerge dores e responsabilidades.

Abandonar a ilusão tem seu preço, pois ela promove tanto como um amortecimento da dor quanto nos dá o direito de sermos especiais.

Como camaleão fingimos que está tudo bem e por nos sentirmos especiais cobramos inúmeros direitos dos outros. Experimentamos o “eu tenho direito, eu mereço, eu posso e etc.”.

Agora imagina tudo isso acontecendo dentro de um setting terapêutico

Fica fácil perceber as projeções nas histórias e realidades alheias. Além disso, o que não irá acontecer é a ajuda, uma vez que ambos estão de mãos dadas com suas dores e exigências.

Pode-se ainda agravar o contexto do cliente/paciente somando mais e mais ilusões.

Bert Hellinger nos ensina que somente entregamos ao outro o que temos

Parece óbvio, mas dentro do contexto de ajuda, isso não acontece antes de tomarmos nossos pais da forma como a vida chegou até nós. Passo imprescindível e sem ele não conseguimos ir para os seguintes.

O auto cuidado é a essência da boa relação de ajuda. Encarar a nós mesmos nos deixa humanamente preparados para auxiliar o outro de forma eficaz. E paradoxalmente, menor será a intervenção realizada. Ou seja, menor intervenção e maior ganho terapêutico.

O livro O Drama da Criança Bem Dotada da Alice Miller, que abre este texto, revela a necessidade de trabalharmos a nossa história e nos libertamos para a vida.

Este movimento não cessa, ele é contínuo e crescente por quanto estivermos disponíveis a novas percepções.

 

Andréia Castagna Ferreira

 

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