NEUROPSICOLOGIA PARA PSICÓLOGOS
10 de janeiro de 2019
Processo de Desenvolvimento da Identidade Pessoal
Processo de Desenvolvimento da Identidade Pessoal
17 de janeiro de 2019
Exibir tudo

Individuação, um desafio para o Ego

Individuação, um desafio para o Ego

Jung definiu como individuação o processo pelo qual o ser humano chega ao autoconhecimento, e é levado a estabelecer contato com o inconsciente, não só o inconsciente pessoal, integrando as sombras, mas também o inconsciente coletivo.
Nesta integração, o que se faz é sempre a separação do que é consciente daquilo que é ‘não consciente’. Para integração dos arquétipos torna-se necessário fazer essa distinção, caso contrário, os conflitos continuam ou se intensificam. O objetivo desse processo ou sua etapa final, é a chegada ao self, ao centro da personalidade. Quando chega a esse centro o ser humano se realiza como individualidade, como personalidade.

O self que se apresenta como um projeto desde o início de nossa vida, é o modelo do ser humano completo, a matriz de todo progresso do ser, o padrão segundo o qual se desenvolvem as características da individualidade de cada um. Sua apresentação desde o início da vida se realiza através dos sonhos das crianças, sonhos em que aparecem imagens arquetípicas desse centro, ou seja, os símbolos do self.
A chegada ao self é, muitas vezes precedida por angústia ou muita ansiedade, à qual todo terapeuta deve estar atento. Essa ansiedade está associada à aquisição de uma consciência de si mesmo, que o indivíduo está atingindo.

Aquele que ouve e dá atenção à grande tensão interior que precede o processo de autoconhecimento; terá a chance de alcançar as profundezas do seu ser, e ‘integrar’ a vivência dos arquétipos de forma consciente.

A individuação geralmente é desenvolvida através de um processo terapêutico, mas também pode acontecer de forma natural. Não é impossível que alguns cheguem a realiza-la sozinhos. Muitos homens altamente significativos para seu tempo chegaram a uma personalidade que nos parece completa sozinhos, para o que é necessária uma ampla e intensa vivência interior.

A chave nesse processo é jamais ignorar os sentimentos, enfrentar as angústias, os medos e as dificuldades com coragem, buscando a raiz, a fonte de onde se originam tais problemas. Esse processo de investigação interior pode ser feito através de vários instrumentos como a terapia psicológica, que pode incluir a regressão à infância (ou mesmo à fase intrauterina), a consulta a oráculos como forma de trazer à tona os conteúdos inconscientes, a meditação, processo pelo qual se realiza a conexão com o Eu superior, aquela dimensão do ser que transcende o ego, que tudo sabe e compreende, pois é onde reside a sabedoria divina em nós.

Apesar de doloroso, o processo de individuação é o que nos libertará de uma vida massificada, totalmente dominada pelo ego, em que seguimos o pensamento da maioria, sem qualquer escolha pessoal. A tomada de consciência é essencial, mas não é tudo, ela nos torna mais responsável por nós mesmos e por nossos atos, e a partir daí cabe a cada um decidir se vai aceitar ou não essa responsabilidade.
Atingir o self não significa chegar à perfeição, mas sim ter uma visão realista de si mesmo, e o entendimento de que o progresso interior é algo a ser trabalhado durante toda a vida, pois novos desafios surgirão o tempo todo durante a nossa existência.

Porém uma personalidade integrada enfrentará esses desafios com muito mais coragem, discernimento, equilíbrio e serenidade.

Autor: Elizabeth Cavalcante

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *