BlackPsi
BlackPsi 2021 – Siga seu desejo por conhecimento!
28 de outubro de 2021
Exibir tudo

O aqui-e-agora em psicoterapia

O aqui-e-agora em psicoterapia

A nova era que se descortina diante de nós é denominada, por alguns teóricos com a era do vazio, momento em que o predomínio da dimensão psicológica, própria à concretização do predomínio do presente, joga-nos cada vez mais, dentro de um individualismo narcísico. Por outro lado, hoje, o homem quer viver mergulhado em satisfações imediatas, buscar sensações que o façam esquecer-se das preocupações passadas e ameaças futuras, estabelecer sua organização de vida no axe do presente, isto é, viver o momento atual e nada mais. Assim, o passado e o futuro não têm espaços na organização do seu cotidiano.

E diante desse quadro, cabe-nos uma série de perguntas essenciais para o desenvolvimento de nosso trabalho como psicólogos do século XXI: que tipo de clientes aparece em nosso consultório? Que problemas psicológicos ele traz para a consulta? Que sintomas explicitam o seu conflito interno? Como podemos acolher suas questões sem cair no movimento de respostas urgentes?

Yalom terapeuta russo radicado nos EUA, mostra a importância para a prática clínica da experiência do aqui-e-agora, que nada mais é que o momento presente. Tudo que acontece é no agora, já́ que o passado não existe mais e o futuro ainda não é. O aqui (espaço) e o agora (tempo) são conceitos básicos vindos da filosofia oriental e estar no aqui e agora é unir a nossa atenção e a nossa consciência.

A existência só se dá no presente; o passado é sempre lembrado a partir de sua posição e de sua repercussão na vida atual da pessoa. Em psicoterapia, a ideia não é re-viver o trauma em si, re-viver imageticamente situações do passado. A realidade é o presente, reter o passado ou viver em projeções futuras são formas de encobrir a realidade; e essa renúncia do agora pode levar a uma personalidade desequilibrada. A proposta é trabalhar em psicoterapia as situações inacabadas do passado que ainda habitam e tomam de emoção o sujeito, bloqueando o fluxo de sua vida em determinada esfera. Ou seja, é buscar que o cliente seja capaz de entrar num contato saudável com o mundo, estando apto a resolver seus problemas através da percepção real de si, de suas necessidades no espaço e tempo presentes, que é a única dimensão real sobre a qual se pode agir.

Freud já nos dizia que, quando o sujeito conta, emocionado, sobre o passado, ele está falando sobre o presente sem perceber, pois, aquilo a que ele se refere são as repercussões do já vivido sobre seu momento atual. E para que haja mudança, o indivíduo precisa se reconhecer, aceitar-se para poder mudar. Quando isso não é feito, toda a energia de impulso e motivação é jogada para o futuro, para o que se deseja ser. Mas, como o futuro é sempre um sonho, um para além do presente, podemos dizer, então, que o momento atual se esvazia de projetos, de impulsos e, consequentemente, nenhuma mudança real acontece.

Daí, mais uma vez, a importância do conceito do aqui-e-agora e sua proposta de mudança: é preciso mobilizar o sujeito, fazendo-o apropriar-se da sua existência presente. Um sujeito apropriado e consciente de quem se é, acredita-se, estará muito melhor instrumentalizado para transitar em um mundo em constantes dinâmicas e realizar suas re-construções.

Referências:

GIDDENS, A. As consequências da Modernidade, São Paulo, UNESP, 1991.

Yalom, Irvin D. Os desafios da terapia:reflexões para pacientes e terapeutas. Rio  Janeiro, Editora Ediouro, 2006.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *