TCC – A PSICOTERAPIA DA EFETIVIDADE

As maiores restrições das pessoas sobre o tratamento psicológico são baseadas nos mitos de que o processo é longo, é caro, e principalmente não tem efetividade imediata.

Diante de um sofrimento psíquico, as pessoas desejam um alívio que possa ser sentido em um tempo mais curto, e que a pessoa possa em breve caminhar sozinha com os próprios recursos e o autoconhecimento adquirido.

Estes mitos sobre a psicoterapia fazem com que os clientes se afastem dos consultórios de psicologia, buscando outras alternativas para suas dificuldades.

Mitos precisam ser transformados, pois a psicologia tem vários caminhos para se chegar ao equilíbrio e saúde emocional, porém existem algumas abordagens que atendem à expectativa de um resultado mais direcionado e mais rápido, mas ao mesmo tempo consistente.

Uma destas abordagens é a Terapia Cognitivo Comportamental, também conhecida como TCC.

Fundamentos da Terapia Cognitivo Comportamental 

A partir da década de 60, as pesquisas do psiquiatra e psicoterapeuta americano Aaron Beck trouxeram uma nova visão dos processos mentais, e a partir destes conceitos foram criadas novas metodologias de intervenção psicoterapêutica.

A TCC parte do pressuposto de que existem 4 instâncias de processos mentais que são:

CRENÇAS – PENSAMENTOS – EMOÇÕES – COMPORTAMENTOS

CRENÇAS – São todas os fundamentos que constituem os nossos valores, a nossa forma de percebermos a nós mesmos, as pessoas e o mundo. Nosso sistema de crenças seria como um mapa sobre o qual caminhamos pela vida. Seria  a lente através da qual enxergamos tudo a nossa volta.

Estas crenças são formadas à partir das nossas vivências, e através do que absorvemos das pessoas que são importantes para nós como nossos pais, familiares, amigos, professores, cônjuges, filhos e do mundo em geral.

Existem as crenças centrais que são aquelas mais profundas, que são nossos parâmetros inquestionáveis, nossas verdades mais definidoras do que somos.

Existem também as crenças intermediárias que são os moldes pelos quais interpretamos os eventos da nossa vida.

Estas crenças intermediárias dão origem aos nossos pensamentos.

PENSAMENTOS – Nossa forma de pensar tem origem nas nossas crenças, e constantemente produzimos pensamentos automáticos que fazem brotar os sentimentos, emoções e sensações.

Existem os pensamentos funcionais e os pensamentos disfuncionais. Nos pensamentos disfuncionais encontramos os problemas que dão origem aos sentimentos negativos, e que causam muito sofrimento. Estes pensamentos são distorções cognitivas que têm origem principalmente em crenças de desamor, desvalia ou de abandono.

EMOÇÕES/SENTIMENTOS – As emoções surgem sem o nosso controle. Não escolhemos o que sentir, e os sentimentos negativos são as principais razões pelas quais as pessoas buscam ajuda.

Os principais sentimentos negativos são medo, raiva, tristeza, culpa ansiedade e nojo.

COMPORTAMENTOS – Nossos comportamentos são frutos dos nossos sentimentos. Embora possamos escolher conscientemente como agir, nossas ações, e principalmente nossas reações estão muito condicionadas às nossas emoções.

Resumindo, crenças geram pensamentos, que geram sentimentos que geram comportamentos.

Quebrando os ciclos disfuncionais 

Quando compreendemos estas quatro instâncias, percebemos que elas constituem um ciclo que se retroalimenta, e que tende a se repetir indefinidamente, até que seja interrompido.

Por exemplo, uma pessoa que tem uma crença de desamor acredita que ela não é digna de receber amor, que ninguém gosta dela,  que ela não é bem vinda, que as pessoas fogem para não encontrá-la.

Suponhamos uma situação em que esta pessoa esteja em um local, e alguém conhecido passa por ela e não a cumprimenta. O pensamento automático que vem é “esta pessoa não gosta de mim” ou “aposto que esta pessoa ficou com preguiça de me encontrar”.

O sentimento que vem em seguida é a tristeza, e o comportamento mais provável é a pessoa se tornar arredia ou reativa, o que fará com que os outros se afastem dela, reforçando a crença que deu origem a esta cadeia de processos.

Por esta razão as pessoas tendem a repetir os comportamentos, a fazer as mesmas escolhas erradas, a trilhar os mesmos caminhos de insucesso, sem se dar conta de que só quebrando esta cadeia é que será possível transformar uma situação.

Terapia Cognitivo Comportamental – Uma abordagem focada e efetiva

A TCC atua identificando as emoções negativas e pesquisa quais os pensamentos que deram origem a elas.

A partir daí, identifica quais são as crenças disfuncionais que estão provocando estes pensamentos.

As intervenções são feitas principalmente nos pensamentos e comportamentos, através de uma metodologia que amplia o foco, levando o paciente a compreender o próprio processo cognitivo. Pensamentos e sentimentos são monitorados por protocolos específicos, e comportamentos diferentes são introduzidos terapeuticamente.

Desta forma as crenças disfuncionais podem ser re significadas, e a pessoa descobre como ativar seus mecanismos favoráveis de pensar e comportar, promovendo emoções positivas e transformações profundas nos processos mentais do paciente.

Quando a cadeia disfuncional é quebrada a pessoa muda seu padrão repetitivo desfavorável.

Ao se auto-conhecer, o indivíduo monitora seus ciclos psicológicos, identifica quando está distorcendo um pensamento e aprende como mudar seu estado mental.

O objetivo da Terapia Cognitivo Comportamental é ajudar o paciente a conhecer os próprios processos, e torná-lo independente para caminhar por si só. Por isso é objetiva, focada, profunda e efetiva, razão pela qual está  trazendo cada dia mais clientes aos consultórios dos psicólogos.

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Luciana Lemos

 

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